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Publicado em 6 de agosto de 2026 · Dr. Charles Grander
Publicado em: [data de publicação] Última atualização: [data da última atualização]
“Bico de papagaio” é o nome popular dado ao osteófito, uma formação óssea que pode surgir nas bordas das vértebras ou das articulações da coluna. Esse achado costuma fazer parte do processo degenerativo conhecido como espondilose ou espondiloartrose.1
Encontrar osteófitos em uma radiografia, tomografia ou ressonância magnética não significa necessariamente que exista uma doença grave, que o osteófito seja a causa da dor ou que seja necessário realizar uma cirurgia. Muitas pessoas apresentam alterações degenerativas nos exames sem sentir qualquer sintoma.
O bico de papagaio torna-se mais relevante quando está localizado em uma região que reduz o espaço disponível para uma raiz nervosa, para os nervos da coluna lombar ou para a medula espinhal. Nesses casos, pode contribuir para dor irradiada, formigamento, perda de força, dificuldade para caminhar ou alterações de equilíbrio.3, 4, 5
O osteófito é uma projeção óssea que se desenvolve nas margens de uma articulação ou nas bordas das vértebras. Ele é uma das alterações que podem ocorrer no processo de artrose e degeneração da coluna.1
A expressão “bico de papagaio” surgiu porque alguns osteófitos apresentam, nas radiografias, um formato curvado ou pontiagudo que lembra o bico de uma ave.
Apesar de ser bastante popular, “bico de papagaio” não é o termo médico habitualmente utilizado nos laudos. O paciente pode encontrar expressões como:
O osteófito não é um pedaço de osso solto dentro da coluna. Também não é, por si só, um tumor, uma fratura ou uma hérnia de disco. Trata-se de um crescimento localizado do próprio osso.
Entre as vértebras existem discos intervertebrais que ajudam a distribuir cargas, absorver impactos e permitir os movimentos da coluna. Também existem pequenas articulações posteriores, chamadas articulações facetárias, responsáveis por orientar e estabilizar os movimentos.
Com o passar dos anos, os discos podem perder parte de seu conteúdo de água, elasticidade e altura. Com a redução do espaço entre as vértebras, aumenta a carga sobre as articulações facetárias e pode ocorrer estreitamento dos canais pelos quais os nervos saem da coluna.
Como parte desse processo, o organismo pode produzir osso adicional nas bordas das vértebras e das articulações. Essa formação parece funcionar como uma tentativa de aumentar a estabilidade do segmento, embora possa também reduzir a mobilidade ou ocupar o espaço disponível para os nervos.1, 3, 4
O envelhecimento é o principal fator associado à formação de osteófitos, mas não é o único. Outros fatores que podem influenciar a velocidade e a intensidade do processo degenerativo incluem:
A postura pode aumentar a sobrecarga muscular e agravar os sintomas, mas raramente é a única explicação para a formação de um osteófito. O bico de papagaio normalmente se desenvolve de forma lenta e multifatorial, e não em consequência de um único movimento errado ou de alguns dias em uma posição inadequada.
Não.
Essa é uma das informações mais importantes para quem recebe um laudo mencionando osteófitos.
Alterações degenerativas são muito frequentes em pessoas que não apresentam dor. Uma revisão sistemática que reuniu exames de 3.110 indivíduos assintomáticos mostrou que diferentes achados degenerativos se tornam progressivamente mais comuns com a idade. A degeneração dos discos, por exemplo, estava presente em 37% das pessoas sem dor aos 20 anos e em 96% aos 80 anos.2
Esses números referem-se à degeneração discal e não especificamente aos osteófitos, mas ilustram um princípio importante: encontrar desgaste ou alterações relacionadas à idade em um exame não prova, isoladamente, que aquela alteração seja a causa dos sintomas.
Para determinar se um osteófito é clinicamente relevante, é necessário avaliar:
Um osteófito relativamente grande voltado para fora da coluna pode ser assintomático. Por outro lado, uma formação menor localizada dentro de um forame já estreito pode contribuir para a compressão de uma raiz nervosa.
Por isso, o laudo deve ser interpretado em conjunto com a história clínica, o exame físico e as próprias imagens. Não se deve tratar apenas a palavra “osteófito” escrita no resultado do exame.
O osteófito pode causar sintomas de formas diferentes, dependendo de sua localização.
O processo degenerativo das articulações da coluna pode provocar:
Entretanto, nem sempre é possível atribuir a dor diretamente ao osteófito. Discos, articulações facetárias, músculos, ligamentos e outras estruturas também podem participar do quadro doloroso.
Os nervos saem da coluna por pequenos túneis chamados forames intervertebrais. Quando um osteófito cresce em direção a um desses espaços, pode ocorrer estreitamento foraminal e compressão de uma raiz nervosa, situação conhecida como radiculopatia.3, 4
Os possíveis sintomas incluem:
Na coluna lombar, a irritação ou compressão de uma raiz pode causar a chamada dor ciática. Na coluna cervical, a dor pode irradiar do pescoço para o ombro, braço, antebraço, mão ou dedos.
Osteófitos podem participar do estreitamento do canal vertebral, especialmente quando associados à redução da altura dos discos, ao aumento das articulações facetárias e ao espessamento dos ligamentos.
Na região lombar, essa condição é chamada de estenose lombar e pode provocar:
Esse padrão de sintomas desencadeados pela caminhada ou pelo tempo em pé é chamado de claudicação neurogênica.4
Na coluna cervical, osteófitos e outras alterações degenerativas podem reduzir o espaço do canal e comprimir a medula espinhal. Essa condição é chamada de mielopatia cervical degenerativa.5
Os sintomas podem incluir:
Esses sintomas não devem ser atribuídos automaticamente à idade. A compressão da medula exige uma avaliação cuidadosa, pois pode provocar piora neurológica progressiva.
| Região da coluna | Possíveis manifestações |
|---|---|
| Coluna cervical | Dor e rigidez no pescoço, limitação dos movimentos, dor irradiada para o braço, formigamento, dormência ou perda de força nas mãos e nos braços |
| Coluna cervical com compressão da medula | Perda de destreza das mãos, desequilíbrio, tropeços, quedas, dificuldade para caminhar e fraqueza nos braços ou nas pernas |
| Coluna torácica | Frequentemente assintomático; em casos selecionados, pode causar dor local ou sintomas neurológicos quando existe estreitamento relevante do canal |
| Coluna lombar | Lombalgia, dor ciática, formigamento, dormência, fraqueza nas pernas e dificuldade progressiva para permanecer em pé ou caminhar |
A região em que o osteófito aparece influencia os possíveis sintomas, mas a localização exata dentro daquela região é ainda mais importante. Um osteófito anterior, posterior, lateral, foraminal ou localizado em uma articulação pode ter consequências completamente diferentes.3, 4, 5
São projeções ósseas localizadas nas bordas das vértebras. Quando pequenos e sem contato com estruturas nervosas, frequentemente representam apenas uma alteração degenerativa.
Significa que existe uma combinação entre alteração ou abaulamento do disco e crescimento ósseo adjacente.
Esse termo é comum nos laudos da coluna cervical. Ele não informa, isoladamente, se existe uma compressão relevante. É necessário avaliar o tamanho, a direção e o contato com as raízes nervosas ou com a medula.
É a redução do espaço pelo qual uma raiz nervosa sai da coluna. Pode ser provocado por osteófitos, perda da altura do disco, artrose das articulações ou pela associação dessas alterações.
É o estreitamento do canal central da coluna.
Na região cervical ou torácica, uma estenose pode comprimir a medula espinhal. Na coluna lombar, pode comprimir as raízes nervosas que formam a cauda equina.
É o desgaste das pequenas articulações localizadas na parte posterior da coluna. Pode contribuir para dor, rigidez, formação de osteófitos e redução do espaço disponível para os nervos.
É uma alteração degenerativa das articulações uncovertebrais, estruturas presentes na coluna cervical. A uncoartrose pode participar da formação de osteófitos e do estreitamento dos forames cervicais.
São termos utilizados para descrever o conjunto de alterações degenerativas da coluna, incluindo desgaste dos discos, redução dos espaços, artrose das articulações e formação de osteófitos.
Não necessariamente.
Expressões como “leve”, “moderado” ou “acentuado” ajudam a descrever a imagem, mas não substituem a avaliação clínica.
A importância do osteófito depende principalmente de:
A avaliação começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas e com o exame físico.
O médico pode avaliar:
Os exames de imagem são escolhidos de acordo com o quadro clínico.
A radiografia mostra bem as estruturas ósseas e pode revelar:
A ressonância permite avaliar:
Ela costuma ser especialmente importante quando existem dor irradiada persistente, formigamento, perda de força, dificuldade para caminhar ou suspeita de compressão da medula.
A tomografia mostra as estruturas ósseas com maior definição do que a radiografia e pode ser útil para analisar:
A eletroneuromiografia pode ser solicitada em situações específicas para avaliar o funcionamento dos nervos e ajudar a diferenciar uma radiculopatia de problemas periféricos, como síndrome do túnel do carpo ou neuropatias.
Não.
A presença de dor cervical ou lombar sem sinais de alerta não exige necessariamente uma ressonância imediata. A indicação do exame depende da duração dos sintomas, do exame neurológico, da resposta ao tratamento inicial e da suspeita clínica.6, 7
Os exames tornam-se mais importantes diante de:
O tratamento depende dos sintomas e do comprometimento funcional, e não apenas da aparência do exame.
Quando o osteófito é um achado incidental e não existe compressão nervosa correspondente aos sintomas, geralmente não é necessário realizar um tratamento específico para a formação óssea.
O paciente pode ser orientado a manter:
Não é necessário tentar “apagar” do exame uma alteração que não está causando problemas.
Na maioria dos quadros de dor cervical ou lombar associados ao processo degenerativo, o tratamento inicial é não cirúrgico.
As opções podem incluir:
O programa deve ser adaptado à idade, à capacidade funcional, às demais condições de saúde e à presença ou não de compressão neurológica.3, 4
Não.
A fisioterapia, os exercícios e as técnicas manuais não dissolvem, quebram ou removem o osteófito.
Entretanto, isso não significa que o tratamento seja inútil. A fisioterapia pode:
É possível melhorar bastante mesmo que o osteófito continue visível no exame.
Não existe medicamento capaz de dissolver seletivamente um osteófito da coluna.
Os medicamentos são utilizados para controlar sintomas, como dor, inflamação ou dor neuropática. A escolha deve considerar a idade, as demais doenças, os medicamentos já utilizados e os riscos de efeitos adversos.
Anti-inflamatórios, por exemplo, podem provocar efeitos gastrointestinais, renais e cardiovasculares. Por isso, não devem ser usados continuamente ou por conta própria sem orientação médica.
Em casos selecionados, infiltrações podem ser utilizadas para reduzir a inflamação e controlar a dor proveniente de uma raiz nervosa ou de uma articulação da coluna.
A infiltração não remove o osteófito e não cria permanentemente mais espaço para o nervo. Seu objetivo é controlar os sintomas, facilitar a reabilitação ou auxiliar na investigação da origem da dor.
A indicação deve ser individualizada.
A simples presença de um osteófito não é, por si só, uma indicação de cirurgia.
O tratamento cirúrgico pode ser considerado quando existe:
Na estenose lombar, a cirurgia costuma ser considerada quando a dor, a fraqueza ou a dificuldade para caminhar comprometem significativamente a vida do paciente apesar do tratamento não cirúrgico.4
Na mielopatia cervical, a decisão deve considerar a intensidade dos sintomas, os achados neurológicos, a gravidade da compressão e a possibilidade de progressão. Recomendações recentes da AO Spine reforçam o papel da descompressão cirúrgica especialmente nos casos moderados e graves.8
O objetivo principal é liberar o nervo ou a medula que está sendo comprimido.
Não é necessário remover todos os osteófitos ou fazer com que o exame volte a parecer completamente normal. A cirurgia é planejada para tratar a compressão responsável pelos sintomas, preservando a estabilidade e as estruturas da coluna sempre que possível.
Dependendo do caso, podem ser realizados procedimentos como:
A artrodese não é obrigatória em todas as cirurgias. Ela pode ser necessária quando existe instabilidade, deformidade, perda importante de sustentação ou necessidade de retirar estruturas essenciais para a estabilidade da coluna.
Em casos selecionados, algumas compressões podem ser tratadas com técnicas minimamente invasivas ou endoscópicas.
A escolha depende de fatores como:
A técnica menos invasiva não é automaticamente a melhor para todos os pacientes. O mais importante é escolher uma abordagem que permita descomprimir adequadamente a estrutura nervosa com segurança.
Não é possível impedir completamente a formação de osteófitos, porque idade, genética e características individuais têm influência importante.
Entretanto, algumas medidas ajudam a preservar a capacidade funcional da coluna e podem reduzir episódios de dor e sobrecarga:
Essas medidas não garantem que o osteófito nunca aparecerá no exame. O objetivo é manter a coluna funcional e aumentar a capacidade do organismo de lidar com as alterações degenerativas.1, 3, 4
Uma avaliação médica deve ser considerada quando houver:
A avaliação torna-se prioritária diante de:
Esses sinais podem indicar comprometimento relevante de uma raiz nervosa ou compressão da medula cervical.5, 8
Dor nova associada a febre, infecção recente, imunossupressão, trauma importante ou histórico de câncer também precisa de avaliação médica mais rápida.6, 7
Na maioria das vezes, não. Muitos osteófitos não causam sintomas e são encontrados por acaso.
A situação exige maior atenção quando existe compressão de nervos ou da medula, perda de força, desequilíbrio, dificuldade para caminhar ou piora progressiva.
Sim. Um osteófito lombar pode contribuir para o estreitamento do canal ou do forame pelo qual passa uma raiz nervosa, causando dor irradiada, formigamento, dormência ou fraqueza na perna.4
Entretanto, hérnia de disco, estenose, inflamação e outras alterações também podem causar ciática.
O osteófito geralmente não desaparece espontaneamente. Entretanto, os sintomas podem melhorar muito, mesmo que a formação óssea permaneça visível no exame.
Isso ocorre porque o controle da inflamação, o fortalecimento muscular, a recuperação da mobilidade e a adaptação das atividades podem reduzir a irritação das estruturas envolvidas.
Ele pode tornar-se mais proeminente ao longo do tempo se o processo degenerativo continuar progredindo. Essa evolução, porém, varia entre as pessoas.
O crescimento observado no exame também não significa necessariamente que os sintomas irão piorar na mesma proporção.
Não. O osteófito faz parte do osso e não pode ser quebrado ou reposicionado por massagens, exercícios ou manipulações.
Além disso, manipulações forçadas devem ser evitadas quando existe suspeita de compressão da medula, instabilidade ou déficit neurológico.5
Em muitos casos, sim. A presença de um osteófito no exame não proíbe automaticamente a musculação.
Os exercícios e as cargas devem ser adaptados à condição clínica, ao nível de treinamento e aos sintomas. Dor irradiada intensa, formigamento persistente, perda de força ou desequilíbrio justificam interrupção da atividade e avaliação médica.
Não.
A hérnia de disco ocorre quando parte do disco intervertebral se desloca além de sua posição habitual. O osteófito é uma formação óssea.
Apesar de serem diferentes, os dois podem coexistir e contribuir para a compressão de um nervo ou da medula.
É a combinação de alteração ou abaulamento do disco com crescimento ósseo adjacente.
Esse achado é frequente na coluna cervical. Sua importância depende do grau de estreitamento do canal ou dos forames e da correspondência com os sintomas do paciente.
Não. A maioria dos pacientes não precisa ser operada.
A cirurgia é reservada principalmente para casos de compressão neurológica relevante, dor incapacitante resistente ao tratamento conservador, perda de força, mielopatia cervical ou limitação importante para caminhar.
O tratamento pode envolver clínico, fisiatra, reumatologista, fisioterapeuta e especialista em dor.
Quando existem dor irradiada, perda de força, estenose, dificuldade para caminhar, alterações de equilíbrio ou possível necessidade de cirurgia, a avaliação por um neurocirurgião especialista em coluna é particularmente importante.
O bico de papagaio é uma formação óssea frequentemente associada ao processo degenerativo da coluna. Em muitos pacientes, representa apenas um achado do exame e não necessita de tratamento específico.
O osteófito torna-se clinicamente relevante quando sua localização contribui para a compressão de uma raiz nervosa, dos nervos da coluna lombar ou da medula espinhal.
Por isso, o resultado do exame não deve ser interpretado isoladamente. A decisão entre acompanhamento, fisioterapia, medicamentos, infiltrações ou cirurgia depende da relação entre os sintomas, o exame físico, a avaliação neurológica e as imagens.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui uma avaliação médica individualizada.
Médico — CRM-SP 177910
Neurocirurgião — RQE 92436
Formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Dr. Charles Grander consolidou sua expertise em Neurocirurgia e Cirurgia de Coluna pela Santa Casa de São Paulo. Como membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, dedica-se a oferecer o que há de mais avançado em procedimentos minimamente invasivos, com destaque para a Endoscopia de Coluna.
Sua prática une conhecimento, tecnologia de ponta e precisão cirúrgica para tratar patologias complexas, como as doenças da coluna. O foco é a resolutividade: proporcionar o alívio das dores e a recuperação das funções com o menor impacto possível, permitindo que o paciente retorne rapidamente à sua rotina e qualidade de vida.
Embora priorize intervenções modernas quando a cirurgia é necessária, o Dr. Charles defende uma abordagem ampla do cuidado, na qual o tratamento conservador tem papel central, associando terapias farmacológicas, reabilitação, procedimentos intervencionistas e outras opções não cirúrgicas para melhorar a dor e a funcionalidade.
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