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Publicado em 11 de setembro de 2026 · Dr. Charles Grander
Espondilolistese lombar é o deslocamento de uma vértebra em relação à vértebra logo abaixo. Ela pode ser identificada por acaso e não causar sintomas, ou estar associada a dor lombar, dor nas pernas e estenose do canal.
O tamanho do deslizamento no raio-X não decide sozinho o tratamento. Sintomas, exame físico, estabilidade, compressão dos nervos, evolução e impacto funcional são mais importantes do que um grau isolado no laudo.
A coluna funciona por segmentos formados por vértebras, discos, articulações e ligamentos. Quando uma vértebra se desloca para a frente, o laudo pode usar os termos espondilolistese ou anterolistese. Deslocamentos para trás são chamados retrolistese.
Na espondilolistese degenerativa, mudanças no disco e nas articulações permitem que o segmento deslize sem uma fratura na parte posterior da vértebra. Ela é mais comum na região lombar e pode estreitar canal, recessos e forames.
Em adolescentes e adultos jovens, a forma ístmica merece atenção especial. Em adultos mais velhos, a degenerativa é mais frequente. O tipo muda a avaliação e não deve ser deduzido apenas pela palavra "deslizamento".
A classificação mais usada descreve quanto a vértebra superior avançou sobre a inferior: grau I corresponde a até um quarto da largura; grau II, de um quarto até a metade; graus III e IV representam deslocamentos maiores. Há também deslocamento completo, raro.
O grau descreve anatomia, não intensidade da dor. Uma espondilolistese de baixo grau pode causar estenose e sintomas nas pernas, enquanto um achado maior pode ser bem tolerado em outra pessoa.
Muitas pessoas não apresentam sintomas. Quando presentes, as queixas podem incluir:
A origem da dor nem sempre é o deslizamento. Quadril, articulações sacroilíacas, estenose, hérnia de disco e dor lombar inespecífica podem coexistir.
A avaliação começa pela história: início, localização, irradiação, distância caminhada, atividades, trauma, idade e progressão. O exame avalia movimento, força, sensibilidade, reflexos, alinhamento e marcha.
Radiografias em pé mostram o alinhamento e permitem medir o deslizamento. Imagens em flexão e extensão podem ser úteis em casos selecionados para investigar movimento do segmento, mas "instabilidade" não se resume a um único número. Ressonância é importante quando há sintomas neurológicos, suspeita de estenose ou planejamento de intervenção. Tomografia detalha melhor o osso, especialmente na forma ístmica.
Não. A evolução varia. Uma revisão sistemática encontrou progressão radiográfica em uma minoria a cerca de um terço das pessoas acompanhadas; portanto, a maioria não teve progressão do deslizamento. Mesmo quando a imagem muda, sintomas e função podem seguir outro caminho.
A necessidade de repetir exames depende do tipo, idade, sintomas e evolução. Não é preciso vigiar toda espondilolistese assintomática com exames frequentes.
Quando não há déficit importante ou instabilidade clinicamente relevante, o tratamento costuma priorizar função:
Cinta pode ser usada em situações específicas, especialmente em algumas formas ístmicas, mas não é solução universal nem substitui reabilitação.
Cirurgia pode entrar na decisão quando dor ou sintomas neurológicos permanecem incapacitantes apesar de cuidado não cirúrgico adequado, quando há déficit progressivo ou quando estenose e instabilidade produzem uma correlação clínica clara.
As opções incluem descompressão dos nervos, com ou sem artrodese. Em pessoas com estenose e espondilolistese degenerativa de baixo grau, estudos randomizados recentes mostraram que descompressão isolada pode produzir resultados semelhantes à descompressão com artrodese em grupos selecionados. Isso não significa que artrodese nunca seja necessária: deformidade, instabilidade, sintomas mecânicos, anatomia foraminal e o tipo de descompressão precisam ser analisados individualmente.
Grau I significa deslocamento pequeno. Ele pode ser assintomático ou relevante conforme sintomas, compressão de nervos e estabilidade. O grau, isoladamente, não define gravidade.
Não. Espondilolistese é desalinhamento entre vértebras; hérnia é deslocamento localizado de material do disco. As duas alterações podem coexistir.
Em geral, sim. O programa deve respeitar sintomas, tipo da espondilolistese, força e atividades desejadas. Dor progressiva ou perda de força exige reavaliação.
Não. Muitas pessoas não precisam de cirurgia. Mesmo quando há estenose associada e indicação cirúrgica, a necessidade de artrodese depende de estabilidade, deformidade, sintomas e técnica planejada.
Na forma degenerativa, o objetivo geralmente não é esperar que o alinhamento se normalize, mas controlar sintomas, manter função e tratar compressão ou instabilidade quando clinicamente relevantes.
Espondilolistese é um achado de alinhamento que pode ser assintomático ou estar associado a dor e estenose. O grau no laudo não decide o tratamento sozinho — sintomas, exame físico e evolução são o que realmente orienta a conduta, incluindo a decisão entre descompressão isolada e artrodese quando a cirurgia é considerada.
Médico — CRM-SP 177910
Neurocirurgião — RQE 92436
Formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Dr. Charles Grander consolidou sua expertise em Neurocirurgia e Cirurgia de Coluna pela Santa Casa de São Paulo. Como membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, dedica-se a oferecer o que há de mais avançado em procedimentos minimamente invasivos, com destaque para a Endoscopia de Coluna.
Sua prática une conhecimento, tecnologia de ponta e precisão cirúrgica para tratar patologias complexas, como as doenças da coluna. O foco é a resolutividade: proporcionar o alívio das dores e a recuperação das funções com o menor impacto possível, permitindo que o paciente retorne rapidamente à sua rotina e qualidade de vida.
Embora priorize intervenções modernas quando a cirurgia é necessária, o Dr. Charles defende uma abordagem ampla do cuidado, na qual o tratamento conservador tem papel central, associando terapias farmacológicas, reabilitação, procedimentos intervencionistas e outras opções não cirúrgicas para melhorar a dor e a funcionalidade.
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