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Hérnia de disco L4-L5 e L5-S1: o que significa?

Publicado em 25 de agosto de 2026 · Dr. Charles Grander

L4-L5 e L5-S1 são níveis entre vértebras na parte inferior da coluna. Uma hérnia em L4-L5 costuma afetar a raiz L5 quando está na região posterolateral; uma hérnia em L5-S1 costuma afetar S1. Mas hérnias foraminais ou extraforaminais podem atingir a raiz que sai naquele nível — L4 em L4-L5 e L5 em L5-S1. O laudo precisa ser relacionado ao lado e aos sintomas.

O que significam L4, L5 e S1?

As vértebras lombares são numeradas de L1 a L5. Abaixo de L5 fica o sacro, cujo primeiro segmento é S1. O disco L4-L5 está entre a quarta e a quinta vértebra lombar; o disco L5-S1 está entre a quinta lombar e o sacro.

Esses níveis suportam grande parte das cargas e permitem movimento, por isso alterações degenerativas e hérnias são comuns ali. Frequência não significa gravidade: muitas alterações não causam sintomas.

Por que o nível do disco e a raiz têm números diferentes?

Na coluna lombar, uma raiz nervosa sai pelo forame ao lado da vértebra correspondente, enquanto outra atravessa o canal em direção ao nível abaixo. Assim, uma hérnia posterolateral em L4-L5 geralmente encontra a raiz L5 que está atravessando. Se a hérnia estiver no forame ou fora dele, pode comprometer a raiz L4 que está saindo.

O mesmo raciocínio vale para L5-S1: uma hérnia posterolateral tende a afetar S1; uma hérnia foraminal pode atingir L5. Hérnias centrais grandes podem envolver mais de uma raiz ou produzir sintomas nos dois lados.

Quais sintomas podem ocorrer em L4-L5?

Quando a raiz L5 é afetada, podem ocorrer dor ou alteração de sensibilidade na face lateral da perna e no dorso do pé, às vezes chegando ao hálux. Fraqueza pode aparecer ao levantar o pé ou o dedão e, em casos mais importantes, contribuir para o chamado pé caído.

Quando a localização compromete a raiz L4, o padrão pode incluir dor ou dormência na parte anterior da coxa e medial da perna, redução de força para estender o joelho e alteração do reflexo patelar. Há variações e sobreposição.

Quais sintomas podem ocorrer em L5-S1?

O comprometimento de S1 pode causar dor ou dormência na parte posterior da perna, borda lateral ou sola do pé. Pode haver dificuldade para ficar na ponta do pé ou empurrar o chão, além de redução do reflexo de Aquiles.

Se uma hérnia foraminal em L5-S1 afeta L5, o padrão pode se parecer com o descrito para a raiz L5. Por isso, ler apenas "L5-S1" sem observar posição e raiz descrita é insuficiente.

O mapa de sintomas é exato?

Não. Dermátomos, que são mapas de sensibilidade por raiz, variam entre pessoas e se sobrepõem. Dor pode seguir trajetos menos típicos. Fraqueza também pode ser mascarada pela dor. O exame combina vários elementos para aumentar a confiança diagnóstica.

O que observar no laudo?

Além do nível, procure a descrição de:

Lado: direita, esquerda ou central.
Localização: central, subarticular, foraminal ou extraforaminal.
Morfologia: protrusão, extrusão, migração ou sequestro.
Relação com a raiz: contato, deslocamento ou compressão.
Espaço disponível: canal e forames.

Essas palavras ajudam, mas não substituem as imagens nem a correlação clínica. Uma alteração no lado oposto aos sintomas pode ser incidental.

L4-L5 ou L5-S1 indica gravidade?

Não. O número identifica localização, não gravidade. Uma pequena hérnia foraminal pode causar sintomas intensos por estar em espaço restrito, enquanto uma hérnia central maior pode ser assintomática. Déficit neurológico, função e evolução pesam mais na decisão.

Como o diagnóstico é confirmado?

A avaliação investiga trajeto da dor, sensibilidade, força, reflexos e marcha. Testes de tensão neural podem reproduzir sintomas. A ressonância é útil quando há déficit, persistência, suspeita de condição séria ou planejamento de procedimento.

Eletroneuromiografia pode ser considerada quando há dúvida entre radiculopatia e neuropatia periférica ou quando imagem e clínica não combinam. Ela não é obrigatória em todos os casos.

O tratamento muda conforme o nível?

O princípio geral é semelhante: sem urgência, costuma-se iniciar com atividade adaptada, controle de sintomas e reabilitação. O nível e a localização influenciam exercícios, infiltrações e acesso cirúrgico, mas a indicação depende do quadro completo.

Cirurgia pode ser discutida diante de déficit relevante ou progressivo, síndrome da cauda equina ou dor radicular incapacitante persistente com compressão compatível. O rótulo L4-L5 ou L5-S1 não basta.

Quando procurar urgência?

Procure atendimento rápido diante de fraqueza nova ou progressiva, dificuldade para caminhar, pé caído recente, alterações urinárias ou intestinais, dormência em sela ou sintomas intensos nas duas pernas. Febre, trauma, câncer ou infecção associados à dor também mudam a prioridade.

Perguntas frequentes

Hérnia L5-S1 causa dor no joelho?

Pode haver padrões atípicos, mas dor anterior no joelho é mais associada a outras estruturas ou raízes. A localização isolada não confirma a causa; exame clínico é necessário.

Pé caído sempre vem de L4-L5?

A raiz L5 é frequentemente envolvida por hérnia L4-L5, mas pé caído também pode resultar de lesão do nervo fibular, outras raízes ou condições neurológicas. É um sinal que merece avaliação rápida.

Orientação final

L4-L5 e L5-S1 dizem onde está o disco; a posição da hérnia ajuda a prever qual raiz pode ser afetada. Padrões de sintomas orientam, mas não são mapas perfeitos. A conclusão depende da concordância entre história, exame e imagem.

Para aprofundar

Hérnia de disco: sintomas, causas, diagnóstico e tratamento
Protrusão discal e hérnia de disco são a mesma coisa?
Dor ciática e hérnia de disco: sinais de alerta

Referências

  1. North American Spine Society — guideline para hérnia lombar com radiculopatia
  2. Merck Manual Professional — Lumbosacral Radiculopathy
  3. Disc nomenclature 2.0 — NASS, ASSR e ASNR
  4. WFNS Spine Committee — diagnóstico clínico e radiológico
Dr. Charles Grander

Dr. Charles Grander

Médico — CRM-SP 177910
Neurocirurgião — RQE 92436

Formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Dr. Charles Grander consolidou sua expertise em Neurocirurgia e Cirurgia de Coluna pela Santa Casa de São Paulo. Como membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, dedica-se a oferecer o que há de mais avançado em procedimentos minimamente invasivos, com destaque para a Endoscopia de Coluna.

Sua prática une conhecimento, tecnologia de ponta e precisão cirúrgica para tratar patologias complexas, como as doenças da coluna. O foco é a resolutividade: proporcionar o alívio das dores e a recuperação das funções com o menor impacto possível, permitindo que o paciente retorne rapidamente à sua rotina e qualidade de vida.

Embora priorize intervenções modernas quando a cirurgia é necessária, o Dr. Charles defende uma abordagem ampla do cuidado, na qual o tratamento conservador tem papel central, associando terapias farmacológicas, reabilitação, procedimentos intervencionistas e outras opções não cirúrgicas para melhorar a dor e a funcionalidade.

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