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Publicado em 25 de agosto de 2026 · Dr. Charles Grander
A hérnia de disco acontece quando parte do material de um disco intervertebral se desloca além de seus limites habituais. Ela pode não causar nenhum sintoma. Quando irrita ou comprime uma raiz nervosa, pode provocar dor irradiada, formigamento, dormência ou fraqueza. Na maioria dos casos sem déficit neurológico grave, o tratamento começa sem cirurgia e é ajustado à evolução de cada pessoa.
Os discos intervertebrais ficam entre as vértebras e ajudam a distribuir cargas e permitir movimento. Cada disco tem uma parte externa mais resistente e um centro com maior conteúdo de água. Com o envelhecimento e outros fatores, o disco pode perder hidratação, desenvolver fissuras e deixar parte de seu conteúdo se deslocar.
"Hérnia" descreve essa alteração anatômica. Não significa, por si só, doença grave nem explica automaticamente uma dor. Há pessoas com hérnias visíveis na ressonância que não apresentam sintomas. Para saber se o achado é relevante, é preciso relacionar a história, o exame físico e, quando indicado, a imagem.
A hérnia é mais frequente na região lombar. Também pode ocorrer na coluna cervical, onde os sintomas tendem a irradiar para o braço ou a mão. Este artigo se concentra principalmente na hérnia lombar.
Quando uma hérnia lombar afeta uma raiz nervosa, o quadro pode incluir:
Esse conjunto de sintomas pode ser chamado de radiculopatia. A expressão "dor ciática" é usada quando a dor irradiada segue o território relacionado ao nervo ciático. Nem toda dor lombar é ciática, e nem toda hérnia causa dor irradiada.
A hérnia geralmente resulta de uma combinação de degeneração do disco, características individuais e cargas acumuladas ao longo da vida. Predisposição genética, tabagismo, excesso de peso, sedentarismo, trabalho fisicamente exigente e movimentos repetitivos podem participar, mas raramente existe uma causa única.
Às vezes os sintomas começam após levantar peso, girar o tronco ou fazer um esforço. Em outras pessoas, surgem sem um evento marcante. Isso não significa que um único movimento tenha "estragado" a coluna: muitas vezes o disco já vinha mudando antes da crise.
O diagnóstico começa pela conversa clínica e pelo exame físico. O profissional procura entender o trajeto da dor, sua intensidade, o tempo de evolução e a presença de dormência ou perda de força. Também avalia sensibilidade, força, reflexos, marcha e testes que tensionam as raízes nervosas.
Esses dados ajudam a diferenciar uma radiculopatia de problemas no quadril, neuropatias periféricas, doenças vasculares e outras causas de dor na perna. A ressonância pode confirmar uma hipótese e mostrar o nível afetado, mas não substitui a avaliação clínica.
Na ausência de sinais de alerta, exames de imagem muitas vezes não são necessários nos primeiros dias de uma crise. A ressonância costuma ganhar importância quando há déficit neurológico, suspeita de condição grave, sintomas persistentes ou necessidade de planejar um procedimento.
O laudo deve ser interpretado com cautela. Abaulamentos, protrusões e sinais de degeneração também aparecem em pessoas sem dor, especialmente com o avanço da idade. O aspecto decisivo é a concordância entre o lado e o nível do achado, os sintomas e o exame físico.
O tratamento é individualizado. Na maioria dos quadros sem urgência neurológica, começa de maneira conservadora, com educação, manutenção de atividade dentro do tolerável, controle de sintomas e reabilitação progressiva. Repouso prolongado tende a reduzir condicionamento e não costuma ser recomendado.
Medicamentos podem ser considerados pelo médico conforme intensidade da dor, outras doenças, uso de anticoagulantes, função renal e risco gastrointestinal. Anti-inflamatórios não são adequados para todas as pessoas. Automedicação, combinações e uso prolongado podem causar danos.
A fisioterapia pode ajudar a recuperar movimento, força, confiança e função. Não existe um exercício único que sirva para todos. O programa precisa respeitar irritabilidade da dor, déficit neurológico, rotina e objetivos. Em casos selecionados de dor radicular intensa, infiltração epidural pode ser discutida para alívio temporário; ela não é necessária para todos e não "recoloca" o disco no lugar.
Sim. Muitas pessoas melhoram com o tempo e tratamento conservador. A inflamação ao redor da raiz pode diminuir, o sistema nervoso pode se tornar menos sensível e o organismo pode reabsorver parte do material herniado. A melhora clínica não depende obrigatoriamente de a ressonância voltar ao normal.
Não é possível prometer prazo ou resultado individual. Algumas crises cedem em semanas; outras exigem meses de acompanhamento, ajustes terapêuticos ou nova investigação. Piora progressiva, ausência de qualquer evolução ou limitação persistente justificam reavaliação.
Cirurgia não é uma consequência automática da ressonância. Ela pode ser considerada quando existe dor irradiada incapacitante que persiste apesar de tratamento conservador adequado e quando o exame de imagem mostra uma compressão compatível com os sintomas. Também pode ser indicada diante de perda de força relevante ou progressiva.
Em situações eletivas, a discectomia tende a proporcionar alívio mais rápido da dor na perna para pacientes bem selecionados. Estudos mostram que a diferença em relação ao tratamento não cirúrgico diminui ao longo do tempo. Por isso, a decisão deve equilibrar intensidade e duração dos sintomas, impacto funcional, preferência do paciente, alternativas, riscos e experiência da equipe.
As técnicas incluem abordagens convencionais, microcirúrgicas e endoscópicas. O melhor acesso depende da anatomia, do tipo e da localização da hérnia, entre outros fatores. "Minimamente invasivo" não significa isento de risco nem superior em todos os casos.
Procure atendimento urgente se surgirem:
Esses sinais não confirmam sozinhos uma síndrome específica, mas precisam de avaliação rápida porque podem indicar compressão neurológica importante ou outra condição séria.
O prognóstico costuma ser favorável, especialmente quando não há perda de força progressiva nem sinais de emergência. A recuperação pode oscilar: dias melhores e piores são comuns. Evolução deve ser julgada pelo conjunto — dor, sono, marcha, força, atividades e qualidade de vida — e não apenas por um número na escala de dor.
Recorrências podem ocorrer, inclusive após cirurgia. Retomar atividade física progressivamente, cuidar do sono, abandonar o tabagismo e tratar fatores metabólicos ajudam a saúde geral e a capacidade da coluna de lidar com cargas. Nenhuma estratégia elimina completamente o risco.
Além das situações urgentes, vale procurar avaliação quando a dor é intensa, limita atividades, vem acompanhada de dormência ou fraqueza, não apresenta melhora progressiva ou retorna com frequência. O objetivo não é apenas "ver a ressonância", mas confirmar a origem dos sintomas e construir um plano proporcional ao problema.
O termo "cura" pode ser impreciso. Sintomas podem desaparecer e a pessoa pode retomar suas atividades, mesmo que a imagem continue mostrando alterações. O foco é recuperação funcional, controle dos sintomas e redução do risco de novas crises.
Em geral, sim, com progressão e adaptação ao quadro. Durante uma crise, pode ser necessário reduzir temporariamente algumas cargas. Déficit de força, dor incapacitante ou sinais de alerta exigem avaliação antes de avançar.
Não. A hérnia pode ser assintomática, causar apenas dor lombar ou irritar uma raiz nervosa e produzir ciática. Também existem outras causas de dor ciática, como estenose do canal e alterações foraminais.
Hérnia de disco é uma alteração comum e deve ser interpretada no contexto de cada pessoa. A maioria dos casos começa com medidas não cirúrgicas, enquanto urgências neurológicas e quadros persistentes exigem decisões diferentes. Uma avaliação individual permite distinguir achados incidentais, escolher o tratamento adequado e reconhecer o momento de reavaliar.
Médico — CRM-SP 177910
Neurocirurgião — RQE 92436
Formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Dr. Charles Grander consolidou sua expertise em Neurocirurgia e Cirurgia de Coluna pela Santa Casa de São Paulo. Como membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, dedica-se a oferecer o que há de mais avançado em procedimentos minimamente invasivos, com destaque para a Endoscopia de Coluna.
Sua prática une conhecimento, tecnologia de ponta e precisão cirúrgica para tratar patologias complexas, como as doenças da coluna. O foco é a resolutividade: proporcionar o alívio das dores e a recuperação das funções com o menor impacto possível, permitindo que o paciente retorne rapidamente à sua rotina e qualidade de vida.
Embora priorize intervenções modernas quando a cirurgia é necessária, o Dr. Charles defende uma abordagem ampla do cuidado, na qual o tratamento conservador tem papel central, associando terapias farmacológicas, reabilitação, procedimentos intervencionistas e outras opções não cirúrgicas para melhorar a dor e a funcionalidade.
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